A Realidade Através do Espelho.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Continuando o sei-que-lá dos causos d'outro dia...
A vida é de lugares, pensei. E essa coisa inquietante de caber no vazio certo do ponto exato para aonde se lança o ponteiro do mundo. É, quis guardar o tempo no pote dos pensamentos, já não podia. É que do meu lado, uma quarentona murmurava as entrelinhas de seu passado. Nós, num lado-a-lado espremido. E num golpe de gentileza um rapaz muito que moço, pediu para reservar da mulher os pertences, coisa de pesos, no seu colo esparramado. Tcheck-Tcheck... num ranger de sapatos que já viram um muito, um outro homem rumava para cabine traseira. Pisoteava seu destino. Sim, sim, voltemos... o homem e a quarentona e sobretudo os camelos e sofás e quimeras que ela parecia carregar naqueles volumes, evidentemente. Uma parada, e outra. O homem se ergue num subitar-se, aí foi, chegou o lugar de se descer. E os guardados da mulher se pousaram na cadeira vazia. (Re)pousava seu corpo denso no vazio, aquele vazio do tempo do lugar certo. Odeio estas quarentonas, espreitou-me um farfalhar de idéia. Mais um parada, Lá vem aquele senhor com seu "Eu podia estar matando, roubando, mas..." Outra parada e me veio um tal de "Mentos é a 10!", esbafurindo as necessidades de um comer que se aproximava, um jajá absoluto. Qual seria o próximo? É o senhor do coiso coisento, o saco cheiroso de enganar traças de guarda-roupa. Então subiu o outro, aquele todo minguado, de carecas expostas, muito prestimoso, o do bloquinho que papel. Na minha cabeça piscava um pois que se quer escrever, se tem de aprender a olhar pelos vidros do ônibus. Voltei para casa e dei de cochilar as idéias.
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Caxangá-Conde da Boa Vista (Continuação)
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Caxangá- Conde da Boa Vista.
Praça do Derby. Avenidas intercruzadas, pessoas carregando suas solidões exclusivas coletivamente, trânsito de idéias. O semáforo anuncia num tom rubro o meu trajeto. Um esbarrão. Um passo e mais outro e outro. Traseuntes obstinados...o velho e seu pandeiro tremelicando cantigas engavetadas; uma mulher gorda vulgarmente confidenciava seus prazeres sexuais à uma amiga. Primeiro fiteiro, segundo fiteiro. É aqui, pensei. Afinal, há muito criei o péssimo hábito de aguardar o ônibus enquanto faço fumaça. - Um Hollywood, por favor. Pessoas na plataforma, mãos que se erguem, acenos. Aquele azul-cobalto não me engana, é o Caxangá-Conde da Boa Vista! Pernas-para-que-te-quero! Enfim, alcancei. Tumulto, pessoas se estapeiam, aglomerado ante as portinhas estreitas. Já não sei quem sobe, quem desce. Um velha portava inúmeras sacolas, talvez quisesse carregar o mundo consigo. Para a velha, que o corpo estalava em artrites ruidosas, o subir do degrau era escalar o Everest. Entrei. Catraca, vidraças empoeiradas sobressaíam os pingos de uma chuva esquecida.
Continua...
Continua...
sábado, 11 de dezembro de 2010
Das sutilezas cotidianas.
Saltando entre pensamentos,
Encontrei uma nova saudade.
Fiz dela minha morada, companhia.
E esta estranha saudade...
Plantando verdades de pedra e flor,
Fez-me Palavra, poesia.
Encontrei uma nova saudade.
Fiz dela minha morada, companhia.
E esta estranha saudade...
Plantando verdades de pedra e flor,
Fez-me Palavra, poesia.
Andarilhos.
Pé ante pé
Dia após dia
Eternos Andarilhos
Ah, se eu pudesse exaltar este teu silêncio-palavra,
Que como passarinho livre
[segue s(c)em vírgulas.
Calando a Boca do Vento,
Tecendo Nova Canção.
Dia após dia
Eternos Andarilhos
Ah, se eu pudesse exaltar este teu silêncio-palavra,
Que como passarinho livre
[segue s(c)em vírgulas.
Calando a Boca do Vento,
Tecendo Nova Canção.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Teia.
Uma gota de ar que arranha,
[ Aranha.
Entretece... e
Estremece.
Tramando contra a vítima que teme o inevitável.
Tragando, travando e tomando o tempo.
Tirando o tecido de dentro,
Neste mundo teu,
Teu pequeno tudo.
[ Aranha.
Entretece... e
Estremece.
Tramando contra a vítima que teme o inevitável.
Tragando, travando e tomando o tempo.
Tirando o tecido de dentro,
Neste mundo teu,
Teu pequeno tudo.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Porque as palavras parece que voam
Ouvindo a máxima "que não gosta de samba
bom sujeito não é.
Ou é ruim da cabeça,
ou doente do pé.
O som faceiro soprou-me uma idéia: "Quem não gosta de Jazz,
bom sujeito, duvido!
Ou é ruim da cabeça,
ou doente do ouvido.
bom sujeito não é.
Ou é ruim da cabeça,
ou doente do pé.
O som faceiro soprou-me uma idéia: "Quem não gosta de Jazz,
bom sujeito, duvido!
Ou é ruim da cabeça,
ou doente do ouvido.
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Porque as palavras parece que voam
domingo, 7 de novembro de 2010
Domingo sozinho e só.
Os seus olhos estilhaçando verdades inverossímeis e vertendo os (des) caminhos de mim.
Cala-me e me foge, pois sou você, sem verbos. Pois se não escrever, desvivo. E se não cantar (des) morono. E eu? Calando o explicito, necessito, necessito realmente deste grito, esta zombaria de mim, para o lado de fora? Pois que sou, se não o abutre dos sentimentos pequenos? Que sou, se não a verdade dos sonhos de outrora? Que sou se não, a fruta que cumpre seu ciclo?
Eu, a estrela despercebida e que por despercebida não inexiste. Limo e suor. Sombra e tintas.
Ei, você, Caminhe, e quando seus olhos se voltarem ao que se perdeu, estarei lá. Firme. Eu, a estátua dos seus desejos. Mil setas indicam a covardia que é pensar, sou uma delas. Sentindo a vida pulsando nas vísceras, cá estou. De sangue e carne, de vida e defeitos. O peso e o contrapeso. A fragilidade da borboleta e a incapacidade de se ser sem as letras. O sol nascendo por entre as cortinas, é a vida embrulhando seu mais novo presente.
Cala-me e me foge, pois sou você, sem verbos. Pois se não escrever, desvivo. E se não cantar (des) morono. E eu? Calando o explicito, necessito, necessito realmente deste grito, esta zombaria de mim, para o lado de fora? Pois que sou, se não o abutre dos sentimentos pequenos? Que sou, se não a verdade dos sonhos de outrora? Que sou se não, a fruta que cumpre seu ciclo?
Eu, a estrela despercebida e que por despercebida não inexiste. Limo e suor. Sombra e tintas.
Ei, você, Caminhe, e quando seus olhos se voltarem ao que se perdeu, estarei lá. Firme. Eu, a estátua dos seus desejos. Mil setas indicam a covardia que é pensar, sou uma delas. Sentindo a vida pulsando nas vísceras, cá estou. De sangue e carne, de vida e defeitos. O peso e o contrapeso. A fragilidade da borboleta e a incapacidade de se ser sem as letras. O sol nascendo por entre as cortinas, é a vida embrulhando seu mais novo presente.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Catucando minha bliblioteca, encontrei o "Cartas a um jovem poeta", do Rilke. O livro, um presente de 2007, me saltou os olhos.
As correspondências entre o renomado Rainer Maria Rilke e o aspirante a escritor Fraz Xavier Kappus cristalizam a substância do fazer literário. Rilke se utiliza da atmosfera que envolve o fazer poético sintetizando o sentir do lado de dentro. Além de abordar os caminhos e descaminhos da produção artística, seu olhar versa sobre os elementos caros à existência humana. O livro, longe de ser um receita literária, é um passeio pelo ensimesmar-se, pelo olhar para dentro. Sangue, músculo, poeira e vento seria a tradução da obra, que alia toda concretude e efemeridade, fundametais à criação artística. Peso e leveza, a tessitura do pensar em palavras.
"As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou." RMR
Enfim, já que nem todos possuem um brilhante guru, um oráculo filatélico, ao menos o livro serve de legado, fica a dica. ;)
As correspondências entre o renomado Rainer Maria Rilke e o aspirante a escritor Fraz Xavier Kappus cristalizam a substância do fazer literário. Rilke se utiliza da atmosfera que envolve o fazer poético sintetizando o sentir do lado de dentro. Além de abordar os caminhos e descaminhos da produção artística, seu olhar versa sobre os elementos caros à existência humana. O livro, longe de ser um receita literária, é um passeio pelo ensimesmar-se, pelo olhar para dentro. Sangue, músculo, poeira e vento seria a tradução da obra, que alia toda concretude e efemeridade, fundametais à criação artística. Peso e leveza, a tessitura do pensar em palavras.
"As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra nunca pisou." RMR
Enfim, já que nem todos possuem um brilhante guru, um oráculo filatélico, ao menos o livro serve de legado, fica a dica. ;)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Carregado de folhas secas...
Como secos são os rastros dos sentidos.
Sua face impregna os espirais da minha memória e
Os prelúdios que escolhi compartilhar.
E esta sua mania de me prender em mim.
De me fazer o seu outro. Espalhar-me como poeira, e observar os meus destinos.
Você se dissolve no cais, eu espreito
Conquanto, disponho-me a enxergar além.
E esta flor, flor fecunda em meu ventre
Despetalando aquele que fui até ontem.
E me escolho pela primeira vez.
Reaprendendo o meu destino: voar.
Grãos de areia que se vão, deixando grandes lacunas.
- Marília Meireles
Sua face impregna os espirais da minha memória e
Os prelúdios que escolhi compartilhar.
E esta sua mania de me prender em mim.
De me fazer o seu outro. Espalhar-me como poeira, e observar os meus destinos.
Você se dissolve no cais, eu espreito
Conquanto, disponho-me a enxergar além.
E esta flor, flor fecunda em meu ventre
Despetalando aquele que fui até ontem.
E me escolho pela primeira vez.
Reaprendendo o meu destino: voar.
Grãos de areia que se vão, deixando grandes lacunas.
- Marília Meireles
domingo, 3 de janeiro de 2010
A amargura inevitável da existência:
O amor não existe. O que existe pura e simplesmente neste mundão de Deus são seres humanos coitados, dependentes, fracos relacionando-se com pessoas em maior ou menor nível de intensidade fingindo compartilharem suas dores para tentar amenizar o peso da existência. O amor é grotesco. Você o conhece mesmo antes de conhecê-lo. Ele é uma destas pequeninas infinitudes que com o passar do tempo tornam-se gradiosamente assustadoras por tudo que é dito a respeito. Por tudo que é cantado, dito, gritado sobre o amor, todo este saudosismo sujo. Esta campanha de divulgação desnecessária. No caminhar da vida, você se depara com esta coisa que é o amor, e ele com sua face assustadoramente simples. - Meu Deus, o amor é só isso? A rotina é cinza, a rotina fatalmente fará parte do amor. A rotina transforma o amor numa paisagem acinzentada. Ela é o câncer incurável de todos nós. Diante da opacidade das coisas, um ato ou outro surge como faísca de cor, este colorido serve para "lembrar" que você "ama" o outro. O problema é quando estas faíscas coloridas teimam em acontecer cada vez com menos frequência. Outrora as faíscas de colorido aconteciam em porções diárias, agora já surgem aos anos, como a mãe que aos poucos deixa de visitar o filho detento. Como se tivesse pena de abandonar de vez, e finge estar lá para anestesiar a dor de um impacto maior. E ainda sabendo de toda a sordidez do amor, eu ainda volto diariamente para a estranha sensação de "amar". Ave- Maria, Ô negócio esquisito!
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
"Coisas que ficaram muito tempo por dizer."
A voz do tempo disse-me coisas: Numa manhã de quinta-feira o trabalhador saiu às ruas, a dona de casa foi à padaria, os meninos, pelas calçadas enxarcadas de suor, empinavam pipas que desenhavam o céu. Em cada dolorido e belo alvorecer, em cada recomeçar diário os meus olhos sobrevoam o centro místico destas pequeninas infinitudes. O poeta não é mais que alguém capaz de olhar. Quero dizer, através destas palavras esfarrapadas e inquietas (assim como eu mesma) que este fio concretamente intangível que nos une, este vínculo invisivelmente colorido que nos conduz, que faz de você a minha melhor parte, a completude do que sou, faz redesbobrir o olhar que eu lanço sobre o estranho ritmo do mundo. Você é a palavra que eu escrevo em mim todos os dias; é a melodia solta que eu ouço ao dobrar de cada esquina; no orvalho das manhãs, é o filme que vejo; é o que a vida esculpiu e me presenteou. Sei que talvez tudo o que eu digo, ou melhor, escrevo aqui, talvez não seja compreendido, contudo, não importa: Moramos no sentimento. E para que você sinta-se em paz, fiz questão de construir o seu abrigo: Na sua casa, pus um jardim de nostalgia; na varanda, coloquei a sutileza do entardecer; nos quartos, pintei as paredes com as cores que pedi emprestadas a Dionísio; na cozinha, temperei os risos com cravo e canela; nos armários, depositei as suas melhores lembranças; na sala, em cada tijolo, joguei um punhadinho do conforto de estar com quem se ama; no banheiro, fiz questão de por as caretas mais engraçadas em frente ao espelho; Esta é a sua casa. A casa que carrego dentro do meu peito para guardar você. Enfim, amo-te.
Sua pequenina gigante.
Por: Marília Meireles
Sua pequenina gigante.
Por: Marília Meireles
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"Coisas que ficaram muito tempo por dizer."
sábado, 29 de agosto de 2009
Brigitte
O crepúsculo já se instalara. Ressoava pelas paredes úmidas da casa. A disposição das velas acesas pelo cômodo dava ao ambiente um ar de morbidez e tensão. Eu estava ao piano. Nua. Debruçada sobre a partitura de Moonlight Sonata até que o rangir da porta me anunciou a entrada de alguém. E naquela expectativa de breves segundos, desejei a solidão. Vi apenas um vulto másculo que vagava perdido à minha procura. Como um viciado que nunca se contenta com a última dose. Eu estava diante do meu tênue invólucro. Senti seus dedos frios pousando no meio seio. Sorri pevertidamente. Entre nós havia um estranho vínculo, um magnífico cordão umbilical. Sentia-me atraída por ele, contudo desconhecia as razões para a desconcertante sensação. Talvez estas sequer existissem de fato. Ele criara um desejo cego por mim, um admirável fanatismo. E eu vivia no limite do prazer que esta idolatria gerava e da desconfortabilidade com aquela lealdade desnecessária. A verdade: sempre carreguei uma espécie de aversão à segurança nos relacionamentos. Saboreava com deleite cada gota de inconstância que me compunha. Meus olhos sobrevoaram-lhe o corpo, reportei-me aos olhos. Eles eram uma espécie de armadilha envolvente. Sempre lúgubres e desesperados, tinham sede de amor. Amor? Nunca o conheci. Beijei-lhe o pescoço e a mancha carmim que o estampara seria o único retrato de mim que ele carregaria adiante. Vesti-me minuciosamente. Portava um sobretudo ocre, com botões perfeitamente dispostos. Calcei as sapatilhas vermelhas; numa composição clássica, elas brilhavam admiravelmente. Eis que acendi o meu cigarro, dirigi-me à porta e fi-la ranger assustadoramente. Afinal, eu não mais escutaria aquele grunhido. Aquele barulho, outrora detestável, talvez me fizesse falta em futuro longínquo. Fui-me para a vida. Pois que em tanto tempo aquele homem não me conhecia. Não que eu não tivesse o hábito de me mostrar, todavia, diante de todas as minhas máscaras, nem eu sabia de mim mesma.
terça-feira, 28 de julho de 2009
O amor é revolução.
O amor é só um novo significado do homem sobre as coisas. Assim fica evidente a sua importância na realidade por esta ser, em si, acinzentada. E nesta brincadeira de colorir o mundoo homem se reinventa, reconfigura o seu espaço de vivência admitindo novas formas no contexto das relações do seu eu com o que é externo. O princípio da mudança é o amor. E essa mudança é exposta nos olhares sobre os mecanismos. O fato de se admitir o novo no cotidiano é, em si mesmo, um ato de amor. Tomemos o amor como uma proposta do meio para o homem. E do homem para o meio, numa típica relação de reciprocidade. Pois se o sentimento parte de dentro para fora, a visão de quem ama sobre o mundo influencia, interfere a própria visão de mundo. Como um ciclo fundamental. natural. O amor como um sentimento intrisecamente necessário à humanidade. Como a fórmula da renovação.
O amor é revolução.
O amor é só um novo significado do homem sobre as coisas. Assim fica evidente a sua importância na realidade por esta ser, em si, acinzentada. E nesta brincadeira de colorir o mundo o homem se reinventa, reconfigura seu espaço de vivência admitindo novas formas no contexto das relações do seu eu com o que é externo. O princípio da mudança é o amor. E esta mudança é exposta nos olhares sobre os mecanismos. O fato de se admitir o novo no cotidiano é, em si mesmo, um ato de amor. Tomemos o amor como uma proposta do meio para o homem e do homem para o meio, numa típica relação de reciprocidade. Pois se o sentimento parte de dentro para fora, a visão de quem ama sobre mundo interfere, influencia a própria noção de mundo. Como um ciclo fundamental. Natural. Como a gravidade atuando nos corpos e estes, por sua vez, devolvendo-lhe a ação. O amor como um sentimento intrisecamente necessário à humanindade. Como a fórmula da renovação.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Acaso.
Com mil faces,
A cidade desperta
Espreita a menina.
[ A alegria é sua sombra.
Conduzida pelo balé das borboletas,
Seguindo para lugar nenhum
Há de tecer suas lembranças numa colcha de retalhos.
Sorriso insensato,
Ingenuidade nos olhos
Convoca um céu azul que derrame tranquilidade.
Por: Marília Meireles
A cidade desperta
Espreita a menina.
[ A alegria é sua sombra.
Conduzida pelo balé das borboletas,
Seguindo para lugar nenhum
Há de tecer suas lembranças numa colcha de retalhos.
Sorriso insensato,
Ingenuidade nos olhos
Convoca um céu azul que derrame tranquilidade.
Por: Marília Meireles
Ecos de Solidão.
Palavra morta
Música sem nota
Flor sem vida
O silêncio vão
Vida suja
Olhos cegos
Sonho cansado
Laço do não
Escrita perdida
Cor esvaída
Mentira das mãos
Tristeza escupida
Aquarela do acaso
Segredos da canção.
Por: Marília Meireles
Música sem nota
Flor sem vida
O silêncio vão
Vida suja
Olhos cegos
Sonho cansado
Laço do não
Escrita perdida
Cor esvaída
Mentira das mãos
Tristeza escupida
Aquarela do acaso
Segredos da canção.
Por: Marília Meireles
terça-feira, 7 de julho de 2009
Carroll, Burton, Alice e Suas Maravilhas.

"Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare". (Lewis Carroll)
Alice no País Das Maravilhas, clássico britânico de Lewis Carroll, irá ás telas mais uma vez. O livro, que integra o gênero literário nonsense*, é sempre motivo para polêmica. Com primeira publicação em 9 de novembro de 1895 -depois, é claro, de algumas dificuldades relativas a impressão da tiragem anterior- tornou-se um marco na contação de histórias, com uma proposta inovadora: O surrealismo literário. O livro promove alguns debates, polemiza; já que a obra, direcionada ao público infantil, conta com uma mensagem subliminar compreensível para poucos.
Uma das interpretações mais famosas é que as aventuras de Alice ilustram um passeio pela adolescência. As constantes variações na altura da garota e divagações sobre sua personalidade servem para estampar um pouco do comportamento relativo a esta fase da vida.
Vale ressaltar que Alice consiste na obra (de língua inglesa) que sofreu maior número de adaptações para Cinema, TV e teatro. Pegando carona, o aclamado diretor de cinema Tim Burton, que foi responsável por grandes feitos cinematográficos como Big Fish, Edward-Mãos-de- Tesoura, Os fantasmas se divertem, assumiu a responsabilidade de dirigir Alice. O filme conta com um elenco implacável, atores de destaque, como: Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Johnny Depp - que se mostra o maior colaborador da filmografia burtoniana. As produções/direções de Burton são demarcadas pela apelo do imaginário aliadas à uma forte exploração do sombrio. Nesta nova faceta, a proposta seguirá a mesma linha. Pelo visto, os fãs do livro terão de controlar a ansiedade até se deliciarem com as maravilhas, já que apenas em 5 de março de 2010 o filme estreará nas telonas, caso a data de estréia não sofra alguma modificação.
* O que não tem nexo, sentido, o que brinca com os absurdos imaginários.
Por: Marília Meireles
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Burton,
Carroll
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Amor.

É São João. Há dois anos eu conheço o amor. Parece uma vida. Ou além dela. Há dois anos o trem rumou por outros trilhos e o sentido da vida tem sido outro. O melhor possível.
Amava-te antes de conhecer, pois tudo em mim já se preparava para a sua chegada. Como em um laboratório minucioso. Naquele dia, diante do espelho enquanto penteava meus cabelos, era para ti e eu nem te conhecia. Não sou alguém fácil de amar.
Quantos Eu podem caber em mim? Eu sou a infinidade de idéias, a multiplicidade de conceitos. Sou um planeta, uma pergunta. Bossa, blues e outras milongas mais. Sou tudo e nada. Sou uma antítese ambulante. Sou o que se descobre e se desmonta.
O poder da inconstância. O que assusta. Perturba. O que não aprendeu e tenta errando. Sou o que perdido se encontra e encontrado, perde-se novamente. Afasto-me de mim, encontro-me no alheio.
Eu sou um pouco de todos e um nada que é meu só meu. Penso com o coração e ajo com a cabeça. Falo duas vezes antes de pensar.
Eu sou tanta coisa que nem sei de tudo que sou.
E de ser tudo isso me perco em mim mesma.
Gosto das palavras cruas, brutas.
Nos atos, eu me desmorono. Destruo-me. E foi nesta intensidade que optei pela vida. Pelo erro das coisas. Pelos vícios. Pelo eterno caminhar do equilibrista. Pelo passo falso. Por estar à mercê do perigo. Por vagar pelo mundo e estar sempre no mesmo lugar. E diante de tudo isso um mundo vasto me espreita. Eu sou o seu oposto e o outro de você.
E te escolhi para dividir todo blues que há no mundo.
Eu sou aquela que te ama. Incomensurável e estranhamente ama.
Amava-te antes de conhecer, pois tudo em mim já se preparava para a sua chegada. Como em um laboratório minucioso. Naquele dia, diante do espelho enquanto penteava meus cabelos, era para ti e eu nem te conhecia. Não sou alguém fácil de amar.
Quantos Eu podem caber em mim? Eu sou a infinidade de idéias, a multiplicidade de conceitos. Sou um planeta, uma pergunta. Bossa, blues e outras milongas mais. Sou tudo e nada. Sou uma antítese ambulante. Sou o que se descobre e se desmonta.
O poder da inconstância. O que assusta. Perturba. O que não aprendeu e tenta errando. Sou o que perdido se encontra e encontrado, perde-se novamente. Afasto-me de mim, encontro-me no alheio.
Eu sou um pouco de todos e um nada que é meu só meu. Penso com o coração e ajo com a cabeça. Falo duas vezes antes de pensar.
Eu sou tanta coisa que nem sei de tudo que sou.
E de ser tudo isso me perco em mim mesma.
Gosto das palavras cruas, brutas.
Nos atos, eu me desmorono. Destruo-me. E foi nesta intensidade que optei pela vida. Pelo erro das coisas. Pelos vícios. Pelo eterno caminhar do equilibrista. Pelo passo falso. Por estar à mercê do perigo. Por vagar pelo mundo e estar sempre no mesmo lugar. E diante de tudo isso um mundo vasto me espreita. Eu sou o seu oposto e o outro de você.
E te escolhi para dividir todo blues que há no mundo.
Eu sou aquela que te ama. Incomensurável e estranhamente ama.
Marília Meireles.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Essência Ou Ação: Uma questão de escolha?

Era domingo e a chuva acalmava a cidade. Minha memória lembrou-me fatos que pensei já não caberem mais em mim. Aquela espécie de nostalgia fora de hora percorreu a distância dos traumas, a infância com suas alegrias ingênuas e insignificantes e por fim o meu eu atual. Se é que ele existe, afinal, de uns tempos para cá, tenho sido a inconstância personificada.
Sentei-me à frente do computador e compartilhei um pouco da confluência de sentimentos que reinavam em minha cabeça. Descobrir que amar as pessoas não é algo nem um pouco fácil. Uma empreitada com diversos acidentes pelo caminho. E diante disso um sentimento de repentina indignação povoou minhas idéias. Era para haver mais praticidade no amor, não? Esporadicamente tenho a leve sensação de que minhas ações estragam os relacionamentos. Cobro-me a perfeição frequentemente e diante de algum tropeço nesta empreitada sinto-me então obsoleta. Talvez eu seja realmente uma lunática-sensível ocupada com dores inexistentes, talvez este seja o tipo de sentimento mais identitário desse mundão de Deus.
Tomei um café sem açúcar (como os Buendía de García Márquez, haha) e fumei um cigarro complacentemente. Cuspi palavras soltas até ouvir um discurso que me fez refletir:
-Apaixonar-se pela essência das pessoas algo muito mais nobre do que ater-se ao encanto de suas ações. Se um dia você falar asneiras ininterruptamente em meu ouvido ou arrotar sem parar isso não fará com que eu te ame menos. Pois não depende de mim. Não depende de você. Não depende de ninguém. E mesmo que você tente, não fará com que eu te ame menos. Não crie um compromisso com suas atitudes pois elas não são destrutivas.
Ouvi aquilo e emudeci. Foi como se tudo que tinha programado como resposta, todas as palavras me fugissem da boca. Achei o conceito belo e puro. O conceito de alguém que não espera absolutamente nada do outro. Ou que na verdade espera, opta por surprender-se. E considera o comportamento do outro um mundo de possibilidades. Acredito que seja mais fácil tocar a vida assim. Mais saudável, sutil. É que o desenrolar da carruagem tem me mostrado um mundo confuso e encantador ao mesmo tempo. Ora intrigante, mágico e ora trágico. Observo, pelo caminho, registros ambíguos. Realidades inconcretas. E encontros maravilhosos. E tento resignificar a vida, dar-lhe um sentido, reinventar meu olhar sobre o que me rodeia. Nestes meus trajetos tenho percebido que o sentido da vida é a vida em si mesma.
Por: Marília Meireles
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